28.7.26

Preguiça

O calor é brutal!
Consigo apenas estar mergulhada no ar condicionado, pousada nas almofadas frescas que vou substituindo.
O rapazinho que encontrei no elevador, ficou nu, na minha frente.
Tímido. Demasiado tímido. Uma timidez que provém da inexperiência e da surpresa de se ver na eminência de possuir uma mulher que jamais povoaria os seus sonhos mais eróticos e que, pairando sobre almofadas, veste apenas uma parte da lingerie que lhe custaria todo o ordenado.
Durante o tempo em que lhe indiquei as peças que deveria despir, manteve-se calado.
Obediente.
Esteve durante alguns minutos na minha frente. Um corpo agradável, bem definido e tonificado, com uma penugem doce no ventre, um espinha escura de pelos que me agradou. Creio que se sentia envergonhado.
Mandei-o aproximar. Mandei-o subir para cima de mim de modo a que, encostada às almofadas, tivesse acesso ao pénis ainda inseguro.
O calor impede que me esforce. Estanca-me os movimentos.
Sou preguiçosa e apenas lhe acariciei o falo que começava a intumescer, a pulsar, erguido ao som de alguns gemidos. Gostei dos testículos do rapaz. Duros e aveludados. Toquei-lhes com a língua, devagar. Percorri a sutura até à base do pénis, enquanto procurava com os dedos massajar-lhe o anûs com cuidado salivado.
Mandei-o virar. Virou-se de costas. Tinha umas nádegas potentes, firmes e redondas. Separei-as. Continuei a rodear-lhe o anûs agora mais acessível. Ao meu lado, o dildo pequeno e travesso esperava pelas grutas húmidas e apertadas a que o habituei. Encharquei-o de saliva. Lubrifiquei-o com o óleo que uso para amaciar a pele e que correu e deslizou pela minha ainda há momentos. Devagar, entranhei-o no anûs que se apertou num repente. Voltei a massajá-lo e repeti a tentativa. A cabeça do dildo desapareceu num gemido. Entranhei mais, depois de lentamente o retirar. Repeti, acelerando o movimento. O rapazinho contorceu ligeiramente o corpo e o pulsar do pénis anunciou a força dos jactos de esperma que me queimaram as coxas.
Não lhe tinha tocado a erecção. Deixei-a sozinha aos solavancos.
Agradou-me.
Agradou-me sentir que não faria esforços adicionais. Às vezes, delicia-me e basta-me esta quente e espessa falta de domínio juvenil.

23.7.26

Os outros

Sou atraída por homens que não vão jamais decorar a capa de revistas que procuram atingir um público-alvo essencialmente feminino.
Embora de forma esporádica colha nos cantos e recantos que a vida me vai mostrando os corpos de esculpidos homens e os explore e desbrave e desfrute até à exaustão dos lençóis onde são pousados e amarfanhados, sei que, descartáveis, não passam de acepipes na mesa do repasto que quero só para mim.
São os homens que passam distraídos; que trazem embrulhos debaixo do braço; que correm para os autocarros; que pintam as paredes e os muros que não os protegem de mim; que sorriem nos cafés das esquinas do que sou; que fogem da chuva e do vento com salpicos de cansaço nos olhos; que usam trapos escuros, repetidos, nos Invernos contínuos; que gostam de mulheres sem histórias dentro; que lhes olham para as mamas e sentem o sangue a afluir ao pénis e disfarçam, pousando na erecção o jornal de Domingo; que não sabem distinguir Thomas Mann de Thomas Moore e que, com a certeza dos tristes, que jamais tocarão numa mulher como eu.
Idiotas.
São mais atraentes do que os narcisos que ejaculam voltados para o espelho e que desesperam na cama à procura do meu olhar aprovador e esfaimado. São mais apelativos do que os homens que jorram a minha fortuna e que acreditam que as suas vidinhas pacatas, pacíficas, não correm qualquer risco quando se deixam cravar pelas minhas garras.
Não percebem que trocaria, por uma noite apenas, apenas numa noite, todos os meus reinos e cavalos, pelo prazer de ser aberta, usada, forçada, dominada e preenchida pela nudez bruta e não perfeita do homem que prega os cravos no destino.

22.7.26

No topo do bolo

De acordo com a L. “o que não cabe na boca, não cabe em lugar nenhum”.
A cantiga do bandido que nos fala de “gargantas fundas” pode ser entoada pelo macho convencido, mas longe de perceber que o palco, na esmagadora maioria das vezes, não tem parceira de cantorias. Não há gargantas fundas com o clítoris que surge nos seus confins, deslocado. A boca que consegue “engolir” o comprimento total de um pénis é experiente, controlada e pertence a uma altruísta mulher que se convenceu que o gozo profundo do mestre é um dos seus maiores objectivos na vida. Raras são as fêmeas que sentem prazer no controlo do vómito provocado pelo embate da glande no fundo da garganta.
A experiência é essencial. O treino imprescindível para que a manobra se faça com algum sucesso.
Uma das primeiras formas de se caminhar é o conhecimento completo da glande.
Esta magnífica porção de prazer pode ser explorada até ao orgasmo. Basta que a língua a reconheça e aprenda a manobrar todas as suas escondidas possibilidades e todos os seus discretos recantos.
O toque da língua no meato deve ser exploratório sem ser forçado. Percorrer o lanho com saliva, fazer correr a humidade dos lábios pelo sulco, rodear a carne boleada com o aro da boca, fazer-lhe o ninho com a língua dobrada enquanto movemos as estrias salivadas dos dentes sobre o seu quase doloroso latejar, exige pouca concentração e é fácil exercício.
Se acompanharmos esta viagem subtil da boca pela glande por um passear de dedos nos testículos, por um vagaroso vai-vém da palma da mão pelo tronco erecto, o anúncio da rigidez que pronuncia a ejaculação torna-se evidente.

20.7.26

Slogans

Nunca tive aquilo a que o início do século XX chamou Madame e que geria as agendas das putas, atribuindo-lhes os clientes de acordo com as taras reconhecidas ou reveladas. Compreendi muito cedo que era inútil. Os homens não me compram a ninguém. Publicitam-me. Falam de mim, segredando slogans medíocres, nos cantos escuros da vida, aos velhos amigos que não conseguem sossegar a inveja ou a ânsia de possuir o que já lhes amarfanha o desejo.Os mais calados são os melhores clientes. O egoísmo maníaco, os ciúmes patéticos e a sensação de poder que supõem exercer sobre mim, dá-me vantagens e dinheiro.
Às vezes, esgotam-me de impaciência, provocam-me u asco, antipatia e embirração. Normalmente estão extenuados. Não há mais nada que lhes possa exigir e mesmo as argolas minhotas que me oferecem, depois das pequenas incursões à quinta da família, soam a oco.
Nessas alturas, escolho o próximo.
Não é difícil. Existem ainda demasiados. Basta seleccionar o mais idiota e olhar-lhe para a braguilha com o ar de colegial embevecida.
A história é sempre a mesma.

18.7.26

Manual da puta - Treino muscular

Fico surpreendida quando percebo que ainda há mulheres que não sabem que a vagina é servida por uma quantidade substancial de músculos que, se treinados, podem transformar uma noite em mil, mais aquela em que é conveniente despachar o parceiro.
É evidente que treinar a vagina exige, sobretudo no início, concentração, persistência, algum esforço e sobretudo um homem pacífico, colaborador, resistente, jovem e seguro, controlado, tranquilo ou virgem. Os virgens não sabem se o que estamos a fazer é o que imaginam ser o habitual. Em alternativa, não é de todo afastada a possibilidade de os amarrarmos à cama de modo a que não consigam mexer um pelo (esteja ele onde estiver).
Convém, para início do processo, enfiarmos na vagina, até à base, o pénis colocado estrategicamente por baixo de nós. Pode causar algum incómodo que depressa esquecido, porque estamos atentas ao movimento seguinte. Nada que não se possa atirar para trás.
É necessário fazer descer todos os nossos sentidos para a massa rija, cilíndrica, que nos ocupa a vagina. Procuremos apertar o pénis encravado, até lhe sentir o pulsar da glande. Se o conseguirmos, com mais um pequeno esforço faremos com que a vagina se aperceba do formato daquilo que a preenche. O arredondado da glande, o sulco, a pulsante massa dos corpos cavernosos, as veias e as artérias que nos escaldam as paredes do sexo.
É evidente que o processo é moroso, mas indiquei já as características da cobaia.
Para iniciação creio que por agora basta. Quando perceberem que tiveram sucesso neste primeiro passo, podem desatar a gemer, a gritar e a bradar por todas as divindades que conheçam, porque merecem ser muito bem recompensadas.

Passaremos à "lição" seguinte, quando me aprouver e considerar que o tempo empregue neste primeiro exercício já foi o suficiente e já surtiu os efeitos desejados.

17.7.26

cinematográfica

Não sou adepta de pornografia.
Enjoa-me ou impacienta-me, sobretudo porque deparo quase sempre com mulheres perto da violação, mal tratadas, abusadas, “objectificadas”, muitas vezes espancadas, ignoradas perante o soberano prazer dos homens envolvidos, que fingem, algumas de modo patético, sentir um prazer descomunal com todo o aparato erguido em nome de um macho, não raro de um grande macho frustrado.
Esta aversão teve início já no fim da minha adolescência. Consumia, aos dezasseis anos, doses maciças de pornografia. Sentia que tinha de me informar, de me instruir, de me documentar, fosse como fosse. Acreditava que a pornografia me fornecia alguns dados capitais acerca das matérias que, tinha decidido, iriam fazer parte integral da minha vida.
Este consumo exagerado finalizou por me causar náuseas e uma profunda repulsa por tudo o que soe, ainda que deliciosamente para outros, a pornografia. Descobri bem cedo que a minha aprendizagem não se faria com a visão caótica de pénis e de vaginas alheias misturadas com cenários imbecis. Compreendi com facilidade que tinha de ser eu a realizadora e que a produção, o elenco e os cenários, tinham de passar pelo meu aval.
Gosto apenas da forma como passaram por mim os filmes porno: inutilmente nauseabundos.

16.7.26

Bathhouses

São-me indiferentes os homens que no interior das revistas femininas mais ou menos eróticas (sobretudo menos, já que o erotismo também é uma questão de inteligência) abrem as pernas e publicitam os pénis retocados e falsamente flácidos.
Não fico impressionada com os recortados e modelados abdominais ou com as coxas de deus grego que passa pela brisa da tarde.
Folheio e aborreço-me.
São os homens desprevenidos, comuns, banais e quotidianos que me incendeiam. São os que distraídos tomam duche depois de se terem esgaçado nas braçadas de piscinas que não aguentam ou que procuram escaldar a pele num balneário qualquer sem perceberem que, numa das sombras mais discretas, uma fêmea de tigre distende as garras, curva o corpo e procura a posição de ataque.

“la petite mort”

Os franceses chamam ao orgasmo “la petite mort”
É extraordinária esta expressão! Acaba por qualificar de modo certeiro o que ocorre.
Raríssimos são os que sorriem durante o orgasmo. Quando o fazem passam por idiotas e nunca são credíveis. A expressão é quase inevitavelmente a mesma que surge quando existe dor, como se houvesse uma entranhada morte subtil no prazer absoluto.
Não gosto dos raros homens que sorriem durante o orgasmo. Gosto dos dolorosos, daqueles em que ejacular é próximo do desfalecer e mesmo que não se inscrevam na lista dos inolvidáveis, mesmo que não passem de bonecos que manipulo e desfaço, gosto de os ver morrer dentro de mim.

Matinal

Não gosto de passar a noite em casa dos meus amantes esporádicos. Normalmente saio depois de adormecerem.
Abro uma ou outra excepção quando me prometem que apenas me acordarão quando tiverem o duche tomado, os dentes perfeitos e o pequeno-almoço pronto a ser consumido logo depois de eu ter confirmado as aptidões do cozinheiro, demonstradas na noite das fornadas.   

15.7.26

Podologia

Gosto dos homens que têm um fetiche desesperado pelos pés.

O Sr. P. ofereceu-me propositadamente uma pulseira de pequeninos brilhantes que devo colocar no tornozelo apenas quando o recebo. Obedeço , até porque não tenho a ousadia de dar nestes casos passadas muito brilhantes.
Sei que me devo despir, mas ficar com os meus sapatos pretos de tacão agulha, perigosos no jogo que ele gosta que inicie.
Deita-se na cama, nu e fica à espera.
Não é feio. Tem um corpo musculado, ainda jovem e definido, mas traz entranhado o perfume da mulher, Givenchy, que me enjoa e me agonia.
Pede para que o calque.
Confesso que receio que a agulha do tacão se entranhe na carne e o apunhale. Diz que é rijo e que aguenta. É “couro curtido pelo sol” e eu avanço pelo deserto, pouco convencida.
Procuro pousar apenas a sola do sapato. Geme enquanto o sangue lhe invade o pénis grosso e curvo. Nunca percebi se aquela excitação se deve ao cravar do meu pé sobre o abdómen, ou se é a visão privilegiado do meu rabo que lhe provoca o inferno no meio das pernas.
Suplica-me que lhe esmague o pénis, devagar.
Às vezes, há dentro de mim, qualquer bicho a sorrir que imbeciliza a situação que o homem exige que recrie.
Piso-lhe o tronco duro, a latejar, os testículos volumosos e atractivos, até o sentir começar a arfar, quase a ganir, quase a chiar, como se sofresse de uma qualquer patologia respiratória.
Sei que nessa altura tenho de me apressar, baixo-me e ofereço-lhe a vagina aberta e húmida, levanto-lhe o pénis a ferver e cravo-o dentro de mim até ao fundo.
O homem ejacula de imediato. Um jacto de esperma quente e poderoso que me encharca, invade, enche e escorre devagar e espesso pelos dois testículos já pendentes.

É um cliente fácil e muito despachado.