Nunca tive aquilo a que o início do século XX chamou Madame e que geria as agendas das putas, atribuindo-lhes os clientes de acordo com as taras reconhecidas ou reveladas. Compreendi muito cedo que era inútil. Os homens não me compram a ninguém. Publicitam-me. Falam de mim, segredando slogans medíocres, nos cantos escuros da vida, aos velhos amigos que não conseguem sossegar a inveja ou a ânsia de possuir o que já lhes amarfanha o desejo.Os mais calados são os melhores clientes. O egoísmo maníaco, os ciúmes patéticos e a sensação de poder que supõem exercer sobre mim, dá-me vantagens e dinheiro.
Às vezes, esgotam-me de impaciência, provocam-me u asco, antipatia e embirração. Normalmente estão extenuados. Não há mais nada que lhes possa exigir e mesmo as argolas minhotas que me oferecem, depois das pequenas incursões à quinta da família, soam a oco.
Nessas alturas, escolho o próximo.
Não é difícil. Existem ainda demasiados. Basta seleccionar o mais idiota e olhar-lhe para a braguilha com o ar de colegial embevecida.
A história é sempre a mesma.
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