Sou atraída por homens que não vão jamais decorar a capa de revistas que procuram atingir um público-alvo essencialmente feminino.
Embora de forma esporádica colha nos cantos e recantos que a vida me vai mostrando os corpos de esculpidos homens e os explore e desbrave e desfrute até à exaustão dos lençóis onde são pousados e amarfanhados, sei que, descartáveis, não passam de acepipes na mesa do repasto que quero só para mim.
São os homens que passam distraídos; que trazem embrulhos debaixo do braço; que correm para os autocarros; que pintam as paredes e os muros que não os protegem de mim; que sorriem nos cafés das esquinas do que sou; que fogem da chuva e do vento com salpicos de cansaço nos olhos; que usam trapos escuros, repetidos, nos Invernos contínuos; que gostam de mulheres sem histórias dentro; que lhes olham para as mamas e sentem o sangue a afluir ao pénis e disfarçam, pousando na erecção o jornal de Domingo; que não sabem distinguir Thomas Mann de Thomas Moore e que, com a certeza dos tristes, que jamais tocarão numa mulher como eu.
Idiotas.
São mais atraentes do que os narcisos que ejaculam voltados para o espelho e que desesperam na cama à procura do meu olhar aprovador e esfaimado. São mais apelativos do que os homens que jorram a minha fortuna e que acreditam que as suas vidinhas pacatas, pacíficas, não correm qualquer risco quando se deixam cravar pelas minhas garras.
Não percebem que trocaria, por uma noite apenas, apenas numa noite, todos os meus reinos e cavalos, pelo prazer de ser aberta, usada, forçada, dominada e preenchida pela nudez bruta e não perfeita do homem que prega os cravos no destino.
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