A primeira fase da aprendizagem é sempre a mais penosa.
É preciso que nos concentremos no estudo do corpo masculino, excluindo dele o prazer. Necessitamos de o perscrutar, de perceber os mecanismos que o levam ao orgasmo e de aprender como reage ao nosso toque.
Difícil é o necessário controlo sobre a excitação que sentimos. É fácil montar e desbravar um homem até à exaustão do nosso desejo, mas resistir à inconsciência provocada pelo prazer exige tenacidade. Conhecer um pénis erecto, o contorno dos testículos, as suas veias, o seu pulsar, o modo de latejar quando lhe tocamos com a língua, a rigidez que anuncia os jactos de esperma ou o modo como a glande se contrai no apertar dos nossos dedos, sem pedir para o ter cravado em nós a destruir-nos pelas labaredas, é imprescindível à nossa arte.
Comecemos cedo a tentar reconhecer o caminho.
A tarefa é facilitada quando somos capazes de fingir inocência. Podemos ser tímidas e ingénuas, temerosas perante a força do macho erguido. Se o convencermos disso, colabora mantendo uma atitude incestuosamente paternal de quem se deixa ser o primeiro chão que exploramos. Deixemos que pense que é ele que dança a coreografia que acredita que é dele.
Não é certo, é mesmo desaconselhável, que nestas primeiras incursões tenhamos o orgasmo merecido, mas o que retemos é suficiente para nos saciar, pelo menos temporariamente, a urgência de sermos perfeitas.
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